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Um mosquito na testa

Escrito em 25-04-08 por Observador em Eu aprontei | 1 Comentários

Sou de uma família com vários filhos, na verdade, 10 ao todo. Quando criança, morávamos no interior e meu pai, preocupado com a nossa educação e na falta de uma escola pública, contratou um professor particular. Ele seria o responsável por nos ensinar a ler e escrever, em classes diárias e sob a atenta supervisão de minha mãe, que era muito severa.

A idéia da escola era boa, nós gostávamos, mas não deixávamos, também, de aproveitar o tempo livro do jeito que toda criança faz: inventando coisas. E foi inventando coisas que nós, os homens, decidimos pregar uma peça no professor. Queríamos aprontar uma com ele e ficamos pensando em um meio.

Alguns dias se passaram e não vinha uma idéia, até que meu irmão mais velho sugeriu: vamos colocar uma mutuca nele. Explico: mutuca é um palito de fósforo que, depois de aceso, vai queimando e quando fica mais curto pode ser fixado à pele. A idéia vingou e nos preparamos para a peça.

Só que na sua execução, fomos à frente. À noite, depois que o professor tinha dormido - e ele tinha um sono profundo - ao preparar a mutuca, alguém sugeriu: por que não amarramos ele à cama? Criança, você sabe, não mede as consequências. Então, alguém pegou uma corda e amarrou a perna direita do professor à perna esquerda da cama. Feito isso, colocou a mutuca na sua testa.

E como ninguém era herói, todo mundo se mandou para a cama, esperando o que iria acontecer. O palito de fósforo queimou, chegou à testa do professor que, sentindo dor, deu um tremendo tapa no local. Ao fazê-lo, desequilibrou-se na cama, caiu e ficou pendurado pela perna que estava amarrada.

Bom, nós aprontamos. Mas acabamos pagando o pato.

Uberaba, 45 anos

One Response to “Um mosquito na testa”

  1. 1
    Lidiane Says:

    Muito legal o blog. Parabéns!
    Estou dando boas risadas, rsrsrrss

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