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Para salvar a própria pele

Escrito em 03-06-08 por Observador em Eu aprontei | 1 Comentários

Há alguns anos, quando estava fazendo o ensino médio, estudei durante algum tempo em uma classe bem agitada. Não eram todos os alunos, mas alguns deles não eram o que, na época se dizia: Não é flor que se cheire. E foram eles – e eu também – que aprontaram.

O “apronto” acabou levando toda a classe à direção da escola. Primeiro, os alunos foram entrevistados um a um. O objetivo era saber o que tinha acontecido. Afinal, parecia que o prédio da escola estava sendo derrubada. As entrevistas não resultaram. As ameaças individuais, também não.

Como a lei do silêncio imperou, a direção da escola adotou uma nova postura, bem mais dura que se esperava. Chamou todos os alunso da classe e avisou: se até o dia seguinte não aparecesse o autor da estripulia, que foi um campeonato de atirar bolsas em uma parede de madeira, todos seriam reprovados.

Qual a saída? Nos reunimos e procuramos saber dentre os colegas quem é que estava muito mal, que não tinha chances de ser aprovado, passar de ano. E acabamos descobrindo que o “eleito” não tinha nada a ver com o que aconteceu. Mesmo assim, ele foi o escolhido.

Faltava, como no caso do gato e os ratos, colocar o guizo no pescoço do escolhido. E eu fui encarregado – contra minha vontade – da tarefa. Pois bem, cumpri-a. Conversei com o colega e o convenci que ao apresentar-se e assumir a culpa ele estava fazendo o certo, salvando todos nós. E isso não mudaria nada, já que ele ia ficar mesmo reprovado.

Acabamos, no final, negociando com a direção e conseguindo que ele não fosse penalizado, além de ter suas notas rebaixadas. No final, achamos um Cristo. E nos salvamos.

Recife, PE,32 anos

One Response to “Para salvar a própria pele”

  1. 1
    SAM Says:

    Realmente… Acho que em todas as turmas acontece, cedo ou tarde, algo minimamente parecido.

    O que eu teria feito? Teria tentado convencer os meus colegas todos a assumirmos a culpa. Um a um chegar no gabinete do diretor e dizer “fui eu”. E, ainda, se necessário, chamaríamos outros alunos de outras turmas para declararem culpa. Queria mesmo ver a direção da escola reprovar todos os alunos… As direções de escola dizem cada coisa e, logo na 4ª série eu aprendi que só dizem ;)

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