Muitas vezes a gente acaba fazendo o que não quer e, com isso, cria problemas para os amigos. E foi o que aconteceu comigo. Em um momento da vida, me vi totalmente apertado, sem dinheiro, com dívidas e sem meio de pagá-las.
De outro lado, minha empresa tinha boas perspectivas, trabalhava para clientes sólidos e isso me deu a idéia de recorrer a um amigo bem próximo. Sabia que ele tinha algumas economias e até já tinha me oferecido um empréstimo, que não quis, pois achava que ele não seria necessário.
As coisas mudaram e recorri ao meu amigo. Comprometi-me a pagar o empréstimo em prestações, na medida em que os recebimentos da empresa se concretizassem. Acertamos tudo e ele retirou a importância emprestada, de 50 mil reais, de sua poupança, depositando o valor na minha conta.
O dinheiro veio na medida. Me desafogou e permitiu que pagasse todas as minhas contas, deixando-me tranquilo. Não sabia como agradecer ao meu amigo. Afinal, ele tinha me dado tranquilidade e isso, pensava, só faria aumentar a minha amizade por ele.
Só que as coisas não aconteceram como previa. Os negócios em perspectiva não se concretizaram e alguns dos contratos que tínhamos na empresa terminaram e não foram renovados. Também não conseguimos novos contratos, o que representou uma redução drástica das receitas. E com isso, os pagamentos prometidos não se concretizaram, primeiro, sendo adiados e, depois, não sendo feitos.
O pior de tudo é que os bens que tinham estavam na empresa e para dispor deles precisava da concordância dos outros sócios ou de que comprassem minha parte. Nenhuma das duas coisas aconteceu. E com isso, fiquei, novamente, em uma situação difícil e com uma dívida que não conseguia pagar ao meu amigo.
Encurtando a história: Não tive como pagá-lo. E morro de vergonha. Por isso me afastei. Acho até que perdi um amigo.